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Gentes e Locais/Foz do Douro - I I
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Gentes e Locais/Foz do Douro - I I
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Foz do Douro - I I

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Gentes e Locais

2021-04-19 09:50:06
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O poeta Federico García Lorca acreditava que durante a prática ritual do flamenco um “encanto misterioso e inefável” subitamente se desprendia. A esse espectro deu o nome de duende.
Sinto que o Porto também partilha deste “poder que todos sentem, mas que nenhum filósofo explica”. O duende portuense – a que eu, muito orgulhosamente, chamaria de fantasma – seria, portanto, essa ameaça de beleza e de drama que paira sobretudo sobre a zona da Foz do Douro, as pontes e o rio, num dia de nevoeiro explícito. O nevoeiro (essa espécie de febre impressionista que coroa, de tempos a tempos, insidiosamente, a cidade), mais do que um sintoma, é já um talismã, um símbolo metafísico da cidade, uma linguagem e, talvez o mais importante, uma estratégia ficcional poderosíssima.
Todas as manhãs do mundo parecem convergir na luz estiolada da Foz do Douro, de noite ou de dia. Como se as casas falassem. Como se a paisagem fluísse. Como se o Douro não bastasse para designar o tempo que passa, inteiro e tirânico, através dos vivos. Como se não houvesse mapa para se chegar ali, onde sempre tudo esteve e todos estivemos. Cercados. Intactos. Vitoriosamente vencidos.
O Porto é belo na luz e nas trevas, mas é quando o nevoeiro se instala que, paradoxalmente, a cidade se torna mais visível. Os arcos das pontes ganham um triunfo imprevisto. As margens do rio perdem matéria e perfil. Os barcos parecem suspensos no fumo de uma lenta anestesia. As fronteiras esbatem-se entre a cultura popular e a substância erudita.
O Porto tem fantasma para dilatar o nosso horizonte de expectativas. Porque a cidade deve ser lida e vista e ouvida e sentida sempre como uma obra de arte viva. Só assim a sua alma se revelará até ao fim.
exif / informação técnica
Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3100
Exposição: 10/3200
Abertura: f/9.0
ISO: 100
Distância Focal: 180/10
Software: Ver.1.01
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Foz do Douro - I I
O poeta Federico García Lorca acreditava que durante a prática ritual do flamenco um “encanto misterioso e inefável” subitamente se desprendia. A esse espectro deu o nome de duende.
Sinto que o Porto também partilha deste “poder que todos sentem, mas que nenhum filósofo explica”. O duende portuense – a que eu, muito orgulhosamente, chamaria de fantasma – seria, portanto, essa ameaça de beleza e de drama que paira sobretudo sobre a zona da Foz do Douro, as pontes e o rio, num dia de nevoeiro explícito. O nevoeiro (essa espécie de febre impressionista que coroa, de tempos a tempos, insidiosamente, a cidade), mais do que um sintoma, é já um talismã, um símbolo metafísico da cidade, uma linguagem e, talvez o mais importante, uma estratégia ficcional poderosíssima.
Todas as manhãs do mundo parecem convergir na luz estiolada da Foz do Douro, de noite ou de dia. Como se as casas falassem. Como se a paisagem fluísse. Como se o Douro não bastasse para designar o tempo que passa, inteiro e tirânico, através dos vivos. Como se não houvesse mapa para se chegar ali, onde sempre tudo esteve e todos estivemos. Cercados. Intactos. Vitoriosamente vencidos.
O Porto é belo na luz e nas trevas, mas é quando o nevoeiro se instala que, paradoxalmente, a cidade se torna mais visível. Os arcos das pontes ganham um triunfo imprevisto. As margens do rio perdem matéria e perfil. Os barcos parecem suspensos no fumo de uma lenta anestesia. As fronteiras esbatem-se entre a cultura popular e a substância erudita.
O Porto tem fantasma para dilatar o nosso horizonte de expectativas. Porque a cidade deve ser lida e vista e ouvida e sentida sempre como uma obra de arte viva. Só assim a sua alma se revelará até ao fim.
Tag’s: Porto,Matosinhos,Maia,V.N.Gaia,Viana do Castelo,barcelos,Ribeira,S.Nicolau,Miragaia,Massarelos,Lordelo do Ouro,Foz do Douro,Nevogilde Aldoar,Paranhos,Vitória Sé,Campanã
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Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3100
Exposição: 10/3200
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ISO: 100
Distância Focal: 180/10
Software: Ver.1.01

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