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Dos Corações sem dono

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Retratos

2021-09-15 09:35:02
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descrição
Marisa Teixeira, a mentora da “Coração100Dono“, nasceu em 1964, em Mértola. Os animais sempre fizeram parte da sua vida e, o seu sonho de criança, seria ter uma quinta enorme onde pudesse juntar todos e mais algum. Lia todos os livros da saga “Os Cinco”, sendo Tim, o cão, o seu personagem favorito. Recorda-se de alimentar qualquer animal que via na rua. Mas há 40 ou 50 anos, eram raros os animais que estavam ao abandono nas ruas, uma realidade que, infelizmente, foi mudando até ter proporções enormes nos dias que correm.
Há 30 anos tomou a decisão de recolher um rafeiro de porte pequeno, que chamou de “Speed”, o qual tinha «um feitio terrível». Nessa altura, o Speed já era adulto mas ainda fez parte da vida da Marisa durante 15 anos. Foi depois morar para São Brás de Alportel e continuou a recolher cães até chegar ao ponto em que já não podia ter mais. Seis anos depois de recolher o Speed, o número de cães abandonados já excedia por completo todas as suas possibilidades de lhes dar um lar.
Chegou a um ponto onde percebeu que tinha de legalizar o espaço onde recolhia os cães abandonados e constituir uma associação, de forma a ultrapassar burocracias e poder usufruir de benefícios que pudessem dar melhores condições aos patudos do seu espaço. Foi quando estava no notário que viu qualquer coisa com “coração sem dono”. Mudou o “sem” para “100”, junto tudo e criou o nome de umas das mais conhecidas associações do Algarve de Defesa e Proteção dos Animais Abandonados, localizada em Goldra, Loulé.
Com cerca de 24 anos de existência da Coração100Dono, foram muitos os animais recolhidos. Todos têm a sua história, geralmente, de um passado com sofrimento e maus tratos. Entre as muitas histórias, Marisa destaca a de KIMI, uma galga que recolheu num estado de magreza atroz. Quando a viu, parou o carro e prestou-se de imediato para a tentar recolher. Julgou que iria fugir, mas não. Aquele ser em sofrimento aproximou-se a abanar «aquele monte de ossos», como que a pedir ajuda e, isso, fez com a Marisa se desfisesse em lágrimas. Esta história marcante passou-se há seis anos. Depois disso, a KIMI recuperou tudo, as forças, a vontade de viver e toda a sua beleza. Hoje vive na Holanda, tendo sido adoptada por uns amigos da Marisa.
A Coração100Dono protege cerca de 300 animais. Como se deve calcular, isto requer uma grande ginástica – a todos os níveis – e muito, mas muito trabalho. Na sua casa, Marisa tem cerca de 50 cães e conta com a ajuda da família. No refúgio e no “estaleiro”, um local vedado num estaleiro, conta com o apoio dos campeões voluntários. Durante a semana são 4, por vezes 6. Ao fim-de-semana chegam a ser 16. Um trabalho que tem de ser feito, todos os dias do ano, esteja o tempo que estiver, haja o que houver, dia após dia.
A Marisa assume o controlo de todas as situações durante o dia inteiro. Não se trata de falta de confiança em quem a ajuda, mas da sua forma ímpar de trabalhar, ao fazer questão de ver como estão todos e perceber de imediato se alguma coisa não está bem. Isto, claro, é uma decisão que causa grande impacto na sua vida pessoal. Férias e viagens, que tanto gostava de fazer, passaram a ser uma utopia. Assim como foi forçada a mudar muita coisa no seu dia a dia, para conseguir acudir, tratar e mimar todos os que abriga. Um máxima que se aplica que nem uma luva na sua vida? “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Se, assumir este tipo de vida possa ter sido difícil no início, hoje, no meio deles, assume-se como uma pessoa completamente feliz e isso não tem preço, sobrepõe-se a tudo. Hoje, se tivesse de optar novamente, não hesitaria em tomar a mesma decisão.
E o que é uma associação com um espaço físico, que se dedica à Defesa e Proteção dos Animais Abandonados? De outra forma, qual a realidade da Coração100Dono em particular? Existe o lado bom, que se mostra nas diversas publicações que são feitas nas redes sociais, Facebook e Instagram, sobretudo, mas existe também o outro lado, aquele que causa dores de cabeça, o medo, a insegurança, a impotência e o sofrimento.
Alguns números, relativos a 2020, para se perceber a dimensão do que ali se enfrenta todos os dias. Só em esterilizações, foram realizadas 178. Um número que impressiona mas que mesmo assim parece pequeno perante tantos casos de animais abandonados ou novas ninhadas.
A Coração100Dono é das associações com mais animais idosos e doenças crónicas, uma consequência assumida pela Marisa de não aderir às adopções em massa para o estrangeiro ou de garantir que todos são recolhidos, tenham ou não possibilidade de depois serem adoptados. Foram feitas, a 280 animais, duas acções de desparatização interna e prevenção para parasitas exteriores com coleiras, pipetas e bravecto. Junto do veterinário houve vários casos de urgência e testes, situações que depois têm de ser liquidadas junto do mesmo. Mensalmente há um gasto de 3000€ em comida seca e húmida. Soma-se uns 500€ em gasolina, mais 150€ em material de limpeza e 120€ em electricidade.
Depois vem aquilo que não se contabiliza e que mais custa: o acordar várias vezes na noite com medo. Medo se houver trovoada, foguetes, chuva, ou medo, só porque sim, porque eles são animais e nunca sabemos como podem reagir quando estão sozinhos no refúgio, medo quando algum está doente e não se sabe se poderá recuperar, medo que alguém se lembre de atirar animais para o espaço onde há estão outros (porque há quem faça isso), medo de encontrar mais animais e já não haver local onde os pôr. A impotência, muitas vezes, de se querer mudar as coisas e não conseguir. A insegurança de não saber se consegue manter a promessa que faz, a cada um, de não voltar a sofrer ou passar os dias acorrentado. A pressão constante em torno da associação, com pedidos de acolhimento quando o espaço já está esgotado. Por fim, o sofrimento quando se perde um deles, apesar de todos os esforços para os salvar.
Marisa Teixeira, uma família e um grupo de voluntários, campeões em todos os sentidos, que merecem todos os aplausos.
Todos aqueles que estejam interessados em ajudar, podem fazê-lo de diversas formas: através de doações monetárias, de ração, mantas, produtos de limpeza ou artigos para a loja, de voluntariado no refúgio ou até mesmo através da adopção de um amiguinho de quatro patas. Estão também todos convidados a visitar a associação Coração100Dono, na Goldra, onde a Marisa vos irá receber de braços abertos para que possam ver a alegria e amor que reina naquele espaço.
mail: coracao100dono@gmail.com
NIB do BES – 0007 0000 0010 2940 3782 3
IBAN swift BESCPTPL – PT50 0007 00000010 2940 3782 3
exif / informação técnica
Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS R6
Exposição: 1/160
Abertura: f/11.0
ISO: 100
Distância Focal: 85/1
Software: Adobe Photoshop 22.5 (Windows)
favorita de 19
galardões
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Dos Corações sem dono
Marisa Teixeira, a mentora da “Coração100Dono“, nasceu em 1964, em Mértola. Os animais sempre fizeram parte da sua vida e, o seu sonho de criança, seria ter uma quinta enorme onde pudesse juntar todos e mais algum. Lia todos os livros da saga “Os Cinco”, sendo Tim, o cão, o seu personagem favorito. Recorda-se de alimentar qualquer animal que via na rua. Mas há 40 ou 50 anos, eram raros os animais que estavam ao abandono nas ruas, uma realidade que, infelizmente, foi mudando até ter proporções enormes nos dias que correm.
Há 30 anos tomou a decisão de recolher um rafeiro de porte pequeno, que chamou de “Speed”, o qual tinha «um feitio terrível». Nessa altura, o Speed já era adulto mas ainda fez parte da vida da Marisa durante 15 anos. Foi depois morar para São Brás de Alportel e continuou a recolher cães até chegar ao ponto em que já não podia ter mais. Seis anos depois de recolher o Speed, o número de cães abandonados já excedia por completo todas as suas possibilidades de lhes dar um lar.
Chegou a um ponto onde percebeu que tinha de legalizar o espaço onde recolhia os cães abandonados e constituir uma associação, de forma a ultrapassar burocracias e poder usufruir de benefícios que pudessem dar melhores condições aos patudos do seu espaço. Foi quando estava no notário que viu qualquer coisa com “coração sem dono”. Mudou o “sem” para “100”, junto tudo e criou o nome de umas das mais conhecidas associações do Algarve de Defesa e Proteção dos Animais Abandonados, localizada em Goldra, Loulé.
Com cerca de 24 anos de existência da Coração100Dono, foram muitos os animais recolhidos. Todos têm a sua história, geralmente, de um passado com sofrimento e maus tratos. Entre as muitas histórias, Marisa destaca a de KIMI, uma galga que recolheu num estado de magreza atroz. Quando a viu, parou o carro e prestou-se de imediato para a tentar recolher. Julgou que iria fugir, mas não. Aquele ser em sofrimento aproximou-se a abanar «aquele monte de ossos», como que a pedir ajuda e, isso, fez com a Marisa se desfisesse em lágrimas. Esta história marcante passou-se há seis anos. Depois disso, a KIMI recuperou tudo, as forças, a vontade de viver e toda a sua beleza. Hoje vive na Holanda, tendo sido adoptada por uns amigos da Marisa.
A Coração100Dono protege cerca de 300 animais. Como se deve calcular, isto requer uma grande ginástica – a todos os níveis – e muito, mas muito trabalho. Na sua casa, Marisa tem cerca de 50 cães e conta com a ajuda da família. No refúgio e no “estaleiro”, um local vedado num estaleiro, conta com o apoio dos campeões voluntários. Durante a semana são 4, por vezes 6. Ao fim-de-semana chegam a ser 16. Um trabalho que tem de ser feito, todos os dias do ano, esteja o tempo que estiver, haja o que houver, dia após dia.
A Marisa assume o controlo de todas as situações durante o dia inteiro. Não se trata de falta de confiança em quem a ajuda, mas da sua forma ímpar de trabalhar, ao fazer questão de ver como estão todos e perceber de imediato se alguma coisa não está bem. Isto, claro, é uma decisão que causa grande impacto na sua vida pessoal. Férias e viagens, que tanto gostava de fazer, passaram a ser uma utopia. Assim como foi forçada a mudar muita coisa no seu dia a dia, para conseguir acudir, tratar e mimar todos os que abriga. Um máxima que se aplica que nem uma luva na sua vida? “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Se, assumir este tipo de vida possa ter sido difícil no início, hoje, no meio deles, assume-se como uma pessoa completamente feliz e isso não tem preço, sobrepõe-se a tudo. Hoje, se tivesse de optar novamente, não hesitaria em tomar a mesma decisão.
E o que é uma associação com um espaço físico, que se dedica à Defesa e Proteção dos Animais Abandonados? De outra forma, qual a realidade da Coração100Dono em particular? Existe o lado bom, que se mostra nas diversas publicações que são feitas nas redes sociais, Facebook e Instagram, sobretudo, mas existe também o outro lado, aquele que causa dores de cabeça, o medo, a insegurança, a impotência e o sofrimento.
Alguns números, relativos a 2020, para se perceber a dimensão do que ali se enfrenta todos os dias. Só em esterilizações, foram realizadas 178. Um número que impressiona mas que mesmo assim parece pequeno perante tantos casos de animais abandonados ou novas ninhadas.
A Coração100Dono é das associações com mais animais idosos e doenças crónicas, uma consequência assumida pela Marisa de não aderir às adopções em massa para o estrangeiro ou de garantir que todos são recolhidos, tenham ou não possibilidade de depois serem adoptados. Foram feitas, a 280 animais, duas acções de desparatização interna e prevenção para parasitas exteriores com coleiras, pipetas e bravecto. Junto do veterinário houve vários casos de urgência e testes, situações que depois têm de ser liquidadas junto do mesmo. Mensalmente há um gasto de 3000€ em comida seca e húmida. Soma-se uns 500€ em gasolina, mais 150€ em material de limpeza e 120€ em electricidade.
Depois vem aquilo que não se contabiliza e que mais custa: o acordar várias vezes na noite com medo. Medo se houver trovoada, foguetes, chuva, ou medo, só porque sim, porque eles são animais e nunca sabemos como podem reagir quando estão sozinhos no refúgio, medo quando algum está doente e não se sabe se poderá recuperar, medo que alguém se lembre de atirar animais para o espaço onde há estão outros (porque há quem faça isso), medo de encontrar mais animais e já não haver local onde os pôr. A impotência, muitas vezes, de se querer mudar as coisas e não conseguir. A insegurança de não saber se consegue manter a promessa que faz, a cada um, de não voltar a sofrer ou passar os dias acorrentado. A pressão constante em torno da associação, com pedidos de acolhimento quando o espaço já está esgotado. Por fim, o sofrimento quando se perde um deles, apesar de todos os esforços para os salvar.
Marisa Teixeira, uma família e um grupo de voluntários, campeões em todos os sentidos, que merecem todos os aplausos.
Todos aqueles que estejam interessados em ajudar, podem fazê-lo de diversas formas: através de doações monetárias, de ração, mantas, produtos de limpeza ou artigos para a loja, de voluntariado no refúgio ou até mesmo através da adopção de um amiguinho de quatro patas. Estão também todos convidados a visitar a associação Coração100Dono, na Goldra, onde a Marisa vos irá receber de braços abertos para que possam ver a alegria e amor que reina naquele espaço.
mail: coracao100dono@gmail.com
NIB do BES – 0007 0000 0010 2940 3782 3
IBAN swift BESCPTPL – PT50 0007 00000010 2940 3782 3
Tag’s: #desafioRostosHistória,Coração100Dono,Retrato,Sarna,Cão,Associação,Sorriso
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Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS R6
Exposição: 1/160
Abertura: f/11.0
ISO: 100
Distância Focal: 85/1
Software: Adobe Photoshop 22.5 (Windows)

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